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Bom para Criança

Entrevista com Célia Catunda

É muito importante passar conteúdos positivos para as crianças através do entretenimento

Esta semana, o post vai ser um pouco diferente, e ao invés de dicas, vamos inaugurar uma nova seção no blog,“Por trás das telas”, com entrevistas com profissionais que trabalham na produção de conteúdos digitais para crianças.

A primeira entrevista é com a Célia Catunda, diretora das séries de animação Peixonauta, O Show da Luna, Gemini 8 entre outras, uma das sócias da TV PinGuim junto com Kiko Mistrorigo. É bom reforçar que o Peixonauta foi a primeira série de animação de concepção artística e autoria brasileira, que estreou em 2009 no Discovery Kids e na TV Brasil e passa atualmente em vários países do mundo.

Veja o post sobre a série O Show da Luna!

Conversamos com a Célia durante o TelasFórum, um evento sobre o mercado de produção de conteúdos para televisão que aconteceu entre os dias 9 e 10 de novembro em São Paulo, realizado pela SPCine e pela Converge Comunicações.

Bom para criança: Como é o trabalho de produção das séries de animação da TV PinGuim?

Célia Catunda: A criação das séries é minha e do Kiko, e a gente trabalha junto com os roteiristas desde as sinopses. O DNA da produtora sempre foi trabalhar com conteúdo positivo que colabore para o desenvolvimento da criança. Eu não consigo fazer outra coisa.

A gente começou fazendo Rita, uma série de interprogramas para a TV Cultura, que já mostrava um comportamento positivo, sem colocar o dedo na cara da criança e ditar ordens do tipo faça assim, ou faça assado. A gente mostrava uma criança saudável. Depois a gente fez o De onde vem, que falava de onde vinham as coisas, o Peixonauta que fala sobre sustentabilidade, e O Show da Luna que é sobre ciências.

Eu acredito que é muito importante você passar conteúdos positivos para as crianças através do entretenimento. Eu já achava isso e depois que eu tive filhos, eu percebi ainda mais como isso era importante. Porque a criança é uma esponja, ela absorve muito tudo aquilo que vê na televisão, no teatro e no cinema. Muitas vezes, ela absorve esses conteúdos até mais do que uma aula na escola. Porque estas histórias tocam o lado afetivo delas, elas estão se divertindo, curtindo os personagens. Ela adora a Luna, adora o Peixonauta, e quer ouvir o que eles têm para falar. Então eu não posso fazer um personagem falar alguma coisa idiota, principalmente para uma criança pequena, que está desprotegida.

Bom para criança: E neste contexto, qual o papel dos pais. Você acha que eles têm que controlar a exposição das crianças a esse tipo de conteúdo?

Célia Catunda: Eu acho que tem que controlar a exposição sim, e eu sei que é difícil, pois hoje em dia a criança está o tempo todo vendo alguma tela, seja a televisão, o iPad o telefone. Então, eu acho que os pais tem que fazer um esforço muito grande para restringir o tempo que essas crianças estão olhando para alguma tela, para ela também olhar para o mundo real.

Uma opção é determinar horários. E quando a criança estiver assistindo alguma coisa, sempre que possível ter algum adulto que possa pontuar o que está passando. Porque tem propagandas, tem um monte de coisas que incentivam demais o consumo. É importante ter um adulto, e um adulto consciente, que fale: “Olha, isso não é bem assim.” É importante também que o adulto selecione o que esta criança vai assistir, e se ela escolher alguma coisa que você não concorda ou não gosta, você pode até deixá-la assistir desde que pontue que não acha aquele programa legal, que não concorda com o jeito que aquele irmão trata aquela irmã, ou o jeito que um personagem fala com o outro.

Tem muitos desenhos que um personagem chama o outro de idiota, e eu ficava indignada quando meus filhos eram pequenos. Porque eles repetiam exatamente o que ouviam. Mas também tem muita coisa boa. Então, os pais tem que tem que falar para os seus filhos. Acho que as vezes os pais subestimam muito o poder que eles têm, se sentem impotentes e acham que os filhos só vão fazer o que querem.

Bom para criança: E como vocês lidam com os novos conteúdos transmídia, as redes sociais e as possibilidades de levar os personagens das séries de animação para aplicativos e outros conteúdos interativos?

Célia Catunda: Além das séries para a televisão, a gente faz também aplicativos, livros, teatro. Mas o que eu tento fazer, tanto no Peixonauta quanto na Luna, na hora que o personagem tem que fazer uma pesquisa, eles usam o livro. Eles não vão pesquisar uma coisa no Google ou no computador. Eu sempre falo para os roteiristas. Se vai pesquisar alguma coisa, pesquisa no livro. Porque a gente mostra para a criança que existem outros lugares para ela pesquisar.

Por exemplo, no aplicativo que a gente criou para a Luna, em cada episódio tem sempre alguma atividade para a criança fazer fora da tela, que é assim: desliga esse aplicativo e vai lá pegar a tesoura, o papel, o lápis de cor. A gente sempre procura estimular coisas diferentes, e o legal é que a animação é 360º mesmo. Você não vai estar com a criança só quando ela estiver ligada na televisão ou na tela do celular. Você também lança um livro, uma revista de atividades, teatro, música, muitas outras formas da criança estar com este personagem e ao mesmo tempo vivendo e fazendo outras coisas.

por Silvia Dalben

One Comment

  1. […] Veja a entrevista com Célia Catunda, diretora de “O Show da Luna” […]
    Reply February 21, 2016 at 1:21 am

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